E se…
E se tudo fosse areia?
E se o mar já não fosse o horizonte?
E se, até onde minha vista alcança, fosse tudo terra seca?
E se nela meus pés já não firmassem?
E se…
E se eu pudesse ver meu reflexo na areia?
E se ele já não fosse algo conhecido por mim?
E se…
E se ele fosse velho, enrugado, distorcido,
diferente de tudo que meus olhos já viram?
E se, nesse horizonte, só existisse a fumaça
do que um dia foi vida e água?
E se…
E se tudo que toquei virasse areia?
E se o vento levasse para longe tudo que era conhecido?
E se, entre fumaça e areia, eu fosse levada
ao desconhecido?
E se…
E se eu fosse a desconhecida na areia
distorcida, velha e enrugada?
E se eu me perdesse na areia
e no reflexo que já não reconheço?
E se o mar já não existisse
e meus pés não encontrassem mais firmeza?
Como buscar pelo mar
se o mar já não existe?
E se a desconhecida e eu
fôssemos a mesma pessoa?
E se eu não existisse?
Juliana C.

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