domingo, 28 de junho de 2026

Sol de Primavera 
Meu sol de primavera... 
Luz que irradia afeto... 
Como esquecer da luz que entra em minha janela 
E aquece tudo que toca? 
Como esquecer você? 
Como esquecer você? 
 Impossível... 
Você era dúbia ... 
Não por ser incerta ou duvidosa, 
 Mas porque sobre você existem várias interpretações, 
 Um sol de várias faces, 
 Mas eu amava todas elas. 
Era doce, meiga e gentil, 
A doçura em pessoa, 
Mas podia ser amarga também 
E grossa quando não estava bem. 
Era cuidadosa, afetuosa, 
Cuidava daqueles à sua volta, 
Mas por muitas vezes exigia cuidados e afeto também. 
Era prevenida, cautelosa, 
 Mas também era imprudente. 
Era a brisa leve, 
Mas também era a ventania. 
Era o mar calmo e, ao mesmo tempo, 
Conseguia ser a tempestade em alto-mar. 
Era o dia de sol e a chuva brava de verão. 
Era o céu aberto e o céu com trovões. 
Era a alegria e o choro também. 
Era o dia e a noite. Era muitas em uma só, 
 E quem não é, não é mesmo? 
Só os ditos normais escondem essa dubiedade, 
Você não, você nunca escondeu, 
Era muitas e sabia disso, 
 E em todas as faces havia intensidade, amor, afeto, loucura, paixão, 
Havia a Larissa. 
Você era grande, grande demais pra esse mundo pequeno, você viveu intensamente tudo que se propôs a viver. 
Como Thoreau: “Fui para os bosques viver de livre vontade. 
Para sugar todo o tutano da vida. 
Para aniquilar tudo que não era vida e, para quando morrer, não descobrir que não vivi.”
Você viveu e como viveu, Realizou coisas que nunca imaginou realizar 
E enfrentou a luta pela vida de uma forma inimaginável, 
Com uma coragem invejável, 
Foi firme e forte como nunca havia sido ainda, foi grande. 
Não quero pensar que perdeu, Porque você foi grande, 
Mas sei que nós perdemos, Perdemos você. 
E acho que você iria rir disso, Você se foi  no dia da mentira, 
Um dia que você ligava e falava coisas absurdas 
E no fim ria e falava que era o dia da mentira 
E que era tudo brincadeira, 
E eu estou aqui esperando a sua ligação 
Pra falar que foi tudo brincadeira e que você ainda está aqui. 
Que vai voltar 
Mas não vai, não é Sol de primavera, luz que irradia, 
Que aquece, que ilumina Sorriso que toca como um afago no coração 
Como viver sem você nesse mundo? 
Como olhar a vida e as pessoas, as coisas acontecendo, 
E saber que você não está aqui? 
Pra quem eu vou ligar 
E falar as coisas e te chamar de “Coisa”
E ouvir você me chamar também? 
Hoje só o que existe é vazio 
E silêncio .... 
Onde habitava você, risadas e conversas, existe o silêncio do universo, 
Um silêncio que dói, 
Que fere sem dizer nada, 
Porque você não está mais aqui. 
Nos encontraremos em breve, 
Sol de primavera 
Por hora quero acreditar que você está aqui 
Nos dias de sol e nos dias de chuva, 
Nas tempestades e no arco-íris e em todos os dias, 
Junto a mim e àqueles que tanto te amam. 
E que você tanto amou. Para sempre, minha Coisa.
Te vejo em breve ...

Juliana C

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